sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Poupar em tempo de crise

Câmara de Gaia ensina famílias a gerir recursos

O Município de Gaia, através da Gaiurb - Urbanismo e Habitação, está a desenvolver um projecto para ensinar os moradores dos empreendimentos sociais a poupar em tempo de crise. Através da realização de várias sessões de esclarecimento, que funcionam em parceria com o Montepio Geral e em colaboração com a ANJAF - Associação Nacional de Jovens para a Acção Familiar, as pessoas são informadas sobre o modo como devem gerir os seus recursos.

André Correia, Administrador da Gaiurb, mostrou a importância desta iniciativa: “O que fazemos aqui não é inédito. Nesta conjuntura actual que a economia atravessa, o Município de Vila Nova de Gaia, em parceria com a DECO, já implementou um projecto desta natureza. Estamos a replicar porque continuamos a sentir a necessidade da nossa população de ter este tipo de apoio e, portanto, estamos aqui mais uma vez para fornecer as ferramentas que podemos dar para apoiar as nossas famílias, nesta altura”.
O programa teve inicio no mês de Outubro e prolonga-se até ao final do ano. Segundo o Administrador “o objectivo é percorrer todos os Gabinetes de Apoio Social dos empreendimentos, situados em Gaia.”
“A sociedade tem vivido um pouco esta cultura do consumismo e a população com menos formação, com menos apoio económico, é a primeira a sofrer as consequências deste tipo de cultura. Sabemos que as pessoas estão muito endividadas, não conseguem nesta fase gerir os seus compromissos. As sessões de trabalho vão ensinar que tipo de prioridades devem ser asseguradas”, acrescentou André Correia.
Joana Vieira, Psicóloga e Formadora da ANJAF, afirmou ser muito importante esta iniciativa junto dos moradores dos empreendimentos sociais: “Estamos a passar por um momento de crise. Todos os dias, ao trabalhar com estas pessoas, sinto que só vamos conseguir ultrapassar as dificuldades através da partilha. Teremos de nos ajudar uns aos outros. As pessoas que vivem em empreendimentos sociais são muito próximas dos vizinhos. As sessões servem, também, para as pessoas desabafarem umas com as outras, já que em casa, evitam falar em dinheiro.”
Fernanda Silva, participante desta iniciativa, com 48 anos, referiu, emocionada, que espera aprender alguma coisa nestas sessões, uma vez que o dinheiro é pouco e tenta geri-lo da melhor forma: “Somos oito pessoas lá em casa e apenas conto com o meu o rendimento social de inserção. São apenas 677€ para esta gente toda. As crianças precisam de se alimentar, por isso, a minha prioridade é a alimentação. Tenho muitas dívidas que não sei se vou conseguir pagar. A Gaia Social baixou-me a renda, mas não foi o suficiente.”
A moradora concluiu: “Passar fome não! Se não tiver bato à porta desta ou daquela, não tenho problema nenhum. Nós já vivemos aqui há tantos anos. Não tenho vergonha nenhuma de pedir. Também já tenho dado a quem precisa.”

Joana Silva

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Uma árvore por empresa

2011.11.11
Inovagaia alia-se ao Projecto “Sequestro do Carbono” do Parque Biológico

A INOVA.Gaia - Centro de Incubação de Base Tecnológica de Vila Nova de Gaia – sediada no Parque Tecnológico de São Félix da Marinha, convidou cada uma empresas ali incubadas para apadrinharem uma árvore, contribuindo assim para o projecto de sequestro do carbono do Parque Biológico. A iniciativa conjunta das duas entidades foi baptizada de “INOVA.netWORK Green Business”.

A primeira de muitas árvores foi hoje plantada, numa cerimónia simbólica que contou com a presença de Fernando Machado, Director-geral do Centro de Incubação e de Vera Afonso, engenheira Florestal ao serviço do Parque Biológico.
O objectivo é estimular as relações entre as empresas de Vila Nova de Gaia, e, fundamentalmente, as que estão no Centro de Incubação. Para isso, organizámos algumas iniciativas paralelas que estimulam as relações informais entre as empresas. Para começar, queremos correlacionar o Centro de Incubação com a plantação de uma árvore”, explicou Fernando Machado, dando assim a conhecer o fundamento da iniciativa.
O Director – Geral da INOVA.Gaia explicou que esta iniciativa é uma forma de corporizar a filosofia da entidade: “O nosso símbolo é uma mão com uma árvore. Hoje, vamos materializar aqui, no nosso jardim, aquilo que sempre tivemos no nosso pensamento. Se cada um apadrinhar uma árvore, tornamo-nos responsáveis pelo seu crescimento e vamos descobrir se somos tão bons a cuidar de uma árvore como a criar uma empresa”.
Vera Afonso louvou a ideia e o dia escolhido para dar o primeiro passo desta iniciativa: “Esta é a época do ano ideal para fazer uma plantação. Em Portugal, festejámos o Dia da Árvore a 21 de Março, mas há muito tempo que o Parque Biológico defende que essa não é a melhor altura para o fazer.”
O Parque Biológico disponibilizará não só as árvores, como também indicará a melhor forma de fazer a sua plantação.
O projecto de “Sequestro do Carbono” do Parque Biológico, em desenvolvimento desde 2008, pretende sensibilizar as empresas e a comunidade em geral para a necessidade de diminuir as emissões de dióxido de carbono (CO2). Com vista a esse objectivo, a engenheira Florestal aproveitou a ocasião para pedir o contributo de todas as empresas, para que tornem possível uma das missões do Parque Biológico – florestar 23 hectares de terreno, para juntar aos 35 de área já florestada, no concelho: “Façam a contabilização das vossas emissões de dióxido de carbono e tentem compensá-las com a nossa ajuda.
Recorde-se que a Câmara Municipal da Vila Nova de Gaia é parte integrante deste projecto desde a sua génese, tendo já adquirido mil metros quadrados de terreno.

Joana Silva

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Aposta no desporto

Câmara de Gaia cede instalações à Federação de Canoagem

A Federação Portuguesa de Canoagem vai ter nova Sede e um Centro de Estágio em Gaia, na sequência da assinatura de um contrato/programa com este Município. A cerimónia realizada hoje na Casa da Presidência contou com a presença de Luís Filipe Menezes, Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, e Mário Santos, Presidente da Federação Portuguesa de Canoagem.

As novas instalações, que anteriormente pertenciam à REFER (Rede Ferroviária Nacional), estão localizadas no Lugar de Quebrantões, na freguesia de Oliveira do Douro, e vão permitir melhorar as condições para a prática da modalidade.
Mário Santos, Presidente da Federação Portuguesa de Canoagem, agradeceu a Luís Filipe Menezes a confiança demonstrada com a cedência das instalações: “Este momento é muito importante. Foi na Ribeira de Gaia que começou a prática da canoagem moderna, nos anos 60. Foi aí que saíram os primeiros atletas e que se começou a divulgar a modalidade. Esta parceria com a Câmara de Gaia é fundamental para o nosso desenvolvimento. Estas instalações serão muito úteis. Tínhamos muitos atletas de Gaia a deslocarem-se para outros centros de formação por não existirem as condições necessárias. Este Centro pode ajudar a trazê-los de volta”.
O Presidente da Federação Portuguesa de Canoagem prometeu divulgar, agora com mais vontade, a actividade náutica: “Daqui a cinco anos, espero ter projectos para o Centro que será de referência. Estamos numa fase em que a modalidade começa a ser reconhecida. Ganhámos 24 medalhas este ano, estão 5 atletas nos jogos olímpicos e hoje, na Gala de Desporto, estão 5 atletas nomeados para as 5 categorias existentes”.
Luís Filipe Menezes, Presidente da Câmara Municipal de Gaia, começou por afirmar que esta não era apenas uma cerimónia qualquer, por vários motivos: “Em primeiro lugar, por garantir a presença no Douro e do Porto naquele que será o núcleo central de promoção do projecto da canoagem. O Douro tem fantásticas condições para formar atletas de Portugal, por isso, ter no Norte uma Sede Desportiva é muito bom, são poucas as que temos aqui. Depois, porque será mais um factor de animação nas margens do Douro, onde não existe vida e escasseiam as pessoas. Temos muitos equipamentos de turismo e este será, certamente, um factor acrescido de promoção da cidade”.
Luís Filipe Menezes revelou, ainda, que Câmara de Gaia tem vindo a fazer um levantamento exaustivo do património imobilizado do Estado, interessante do ponto de vista comercial, para, futuramente, estabelecer parcerias com entidades públicas e privadas.
Depois de 12 anos a tentar, consegui que a REFER passasse as instalações designadas “Gaia Laboratório” para as nossas mãos. A minha opção foi entregá-lo à Federação de Canoagem porque mostrou-se merecedora, mas também, porque demonstrou ter condições para gerir um equipamento como este”, acrescentou Luís Filipe Menezes.
O autarca aproveitou esta cerimónia para pedir ao Presidente da Federação que o Centro de Estágio fosse chamado Edgar Cardoso, em “memória daquele que foi um génio na engenharia em Portugal, um verdadeiro campeão na sua área de actuação.”

Joana Silva

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Mobilidade e Sustentabilidade

Filosofia dos transportes públicos em Gaia é exemplo

Na véspera da greve dos transportes, realizou-se um colóquio com o tema “A nova Filosofia de transportes públicos no Grande Porto”, promovido pelo Município de Gaia, no Auditório Municipal Sophia de Mello Breyner. O Colóquio contou com a presença de Sérgio Monteiro, Secretário de Estado dos Transportes e Comunicações, Luís Filipe Menezes, Presidente da Câmara Municipal de Gaia, Nuno Cardoso, Responsável pelo Projecto ELENA em Gaia, Maria Paula Bramão, Secretária Geral da Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros (ANTROP) e José Monteiro, Vice-Presidente da Associação Nacional dos Transportes em Automóveis Ligeiros (ANTRAL).

Sérgio Monteiro, Secretário de Estado dos Transportes e Comunicações, defendeu o novo modelo de mobilidade e sustentabilidade nos transportes públicos nas áreas metropolitanas do país: “O objectivo do Governo é desenvolver um novo conceito de mobilidade sustentável que nunca ponha em causa a mobilidade dos cidadãos. Quando este Governo tomou pose deparou-se com uma série de problemas. Não tínhamos mãos a medir, não só pelo número de trabalhos, mas também pela urgência dos mesmos. Chegámos a pensar se iríamos continuar a ter, ou não, um serviço púbico de transportes. Não estou a exagerar. Portanto, a nossa necessidade imediata foi pôr fim a estas urgências, nomeadamente eliminar um conjunto de práticas quer a nível da organização interna quer externa das empresas, mas garantindo um serviço público para as décadas mais próximas”.
O governante aproveitou para anunciar algumas medidas já tomadas: “A partir do dia 1 de Janeiro do próximo ano, o Governo vai acabar com a subsidiação transversal, em função da idade, e atribuir o Passe Social + apenas às pessoas que dele necessitem. Queremos justiça social. Para além desta medida, temos outra que passa pelo ajustamento de tarifários. Sobre o futuro, sublinho dois aspectos: queremos expandir a rede de Metro no Porto e em Lisboa, mas também criar vias estruturantes de ligação de Portugal a Espanha, de Porto a Vigo (eixo estratégico de desenvolvimento).”
E a concluir a sua intervenção, o Secretário de Estado deixou um compromisso e um alerta: “Venho aqui, não para prometer, mas para pedir ajuda. O meu compromisso, para além de garantir a mobilidade sustentável, é a realidade, pois se nada for feito temos o serviço público de transportes em causa.”
Luís Filipe Menezes, Presidente da Câmara de Gaia, mostrou que mesmo em tempo de crise é necessário que haja uma politica de desenvolvimento, mas com contenção: “Não tenho soluções milagre. Temos que fazer muita coisa ao mesmo tempo. Em vez de se expandir a linha do Metro de Santo Ovidio até Vila d’Este, podia-se fazer uma estrada com corredores exclusivos para transportes públicos com um investimento de apenas 6 a 7 milhões de euros. Um investimento inferior aos 35 milhões euros que custa a linha do Metro por quilometro. Não vai haver qualidade de vida se não houver economia.”
Nuno Cardoso, gestor responsável pela área de transportes do Projecto ELENA (European Local Energy Assistance) em Gaia, começou por referir que “o projecto resultou de uma iniciativa conjunta da Comissão Europeia e do Banco Europeu de Investimento, no âmbito da eficiência energética e energias renováveis, num investimento global de 73 milhões de euros. Vila Nova de Gaia foi a única cidade portuguesa a par de outras importantes cidades europeias, como Barcelona ou Paris, seleccionada para o desenvolvimento do projecto cujo objectivo consiste em reduzir em 20% as emissões de CO2, aumentar em 20% a eficiência energética e aumentar a incorporação de fontes renováveis”.
Nuno Cardoso referiu, ainda, que o “projecto abrange três componentes, a de iluminação pública, a eficiência energética dos edifícios e a dos transportes públicos, sendo que, nesta última, o objectivo é redesenhar a rede de transportes, utilização de tecnologias mais eficientes e concessão de novos serviços”.
“O sistema de transportes é essencial para garantir qualidade de vida. Nesse aspecto fico feliz por viver no Porto. Em Lisboa é caótico andar nas estradas. Ainda sou do tempo que era impossível circular sem trânsito na Avenida da República, em Gaia, mas esse problema está agora solucionado”, concluiu Nuno Cardoso

Joana Silva