Filosofia dos transportes públicos em Gaia é exemplo
Na véspera da greve dos transportes, realizou-se um colóquio com o tema “A nova Filosofia de transportes públicos no Grande Porto”, promovido pelo Município de Gaia, no Auditório Municipal Sophia de Mello Breyner. O Colóquio contou com a presença de Sérgio Monteiro, Secretário de Estado dos Transportes e Comunicações, Luís Filipe Menezes, Presidente da Câmara Municipal de Gaia, Nuno Cardoso, Responsável pelo Projecto ELENA em Gaia, Maria Paula Bramão, Secretária Geral da Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros (ANTROP) e José Monteiro, Vice-Presidente da Associação Nacional dos Transportes em Automóveis Ligeiros (ANTRAL).
Sérgio Monteiro, Secretário de Estado dos Transportes e Comunicações, defendeu o novo modelo de mobilidade e sustentabilidade nos transportes públicos nas áreas metropolitanas do país: “O objectivo do Governo é desenvolver um novo conceito de mobilidade sustentável que nunca ponha em causa a mobilidade dos cidadãos. Quando este Governo tomou pose deparou-se com uma série de problemas. Não tínhamos mãos a medir, não só pelo número de trabalhos, mas também pela urgência dos mesmos. Chegámos a pensar se iríamos continuar a ter, ou não, um serviço púbico de transportes. Não estou a exagerar. Portanto, a nossa necessidade imediata foi pôr fim a estas urgências, nomeadamente eliminar um conjunto de práticas quer a nível da organização interna quer externa das empresas, mas garantindo um serviço público para as décadas mais próximas”.
O governante aproveitou para anunciar algumas medidas já tomadas: “A partir do dia 1 de Janeiro do próximo ano, o Governo vai acabar com a subsidiação transversal, em função da idade, e atribuir o Passe Social + apenas às pessoas que dele necessitem. Queremos justiça social. Para além desta medida, temos outra que passa pelo ajustamento de tarifários. Sobre o futuro, sublinho dois aspectos: queremos expandir a rede de Metro no Porto e em Lisboa, mas também criar vias estruturantes de ligação de Portugal a Espanha, de Porto a Vigo (eixo estratégico de desenvolvimento).”
E a concluir a sua intervenção, o Secretário de Estado deixou um compromisso e um alerta: “Venho aqui, não para prometer, mas para pedir ajuda. O meu compromisso, para além de garantir a mobilidade sustentável, é a realidade, pois se nada for feito temos o serviço público de transportes em causa.”
Luís Filipe Menezes, Presidente da Câmara de Gaia, mostrou que mesmo em tempo de crise é necessário que haja uma politica de desenvolvimento, mas com contenção: “Não tenho soluções milagre. Temos que fazer muita coisa ao mesmo tempo. Em vez de se expandir a linha do Metro de Santo Ovidio até Vila d’Este, podia-se fazer uma estrada com corredores exclusivos para transportes públicos com um investimento de apenas 6 a 7 milhões de euros. Um investimento inferior aos 35 milhões euros que custa a linha do Metro por quilometro. Não vai haver qualidade de vida se não houver economia.”
Nuno Cardoso, gestor responsável pela área de transportes do Projecto ELENA (European Local Energy Assistance) em Gaia, começou por referir que “o projecto resultou de uma iniciativa conjunta da Comissão Europeia e do Banco Europeu de Investimento, no âmbito da eficiência energética e energias renováveis, num investimento global de 73 milhões de euros. Vila Nova de Gaia foi a única cidade portuguesa a par de outras importantes cidades europeias, como Barcelona ou Paris, seleccionada para o desenvolvimento do projecto cujo objectivo consiste em reduzir em 20% as emissões de CO2, aumentar em 20% a eficiência energética e aumentar a incorporação de fontes renováveis”.
Nuno Cardoso referiu, ainda, que o “projecto abrange três componentes, a de iluminação pública, a eficiência energética dos edifícios e a dos transportes públicos, sendo que, nesta última, o objectivo é redesenhar a rede de transportes, utilização de tecnologias mais eficientes e concessão de novos serviços”.
“O sistema de transportes é essencial para garantir qualidade de vida. Nesse aspecto fico feliz por viver no Porto. Em Lisboa é caótico andar nas estradas. Ainda sou do tempo que era impossível circular sem trânsito na Avenida da República, em Gaia, mas esse problema está agora solucionado”, concluiu Nuno Cardoso
Joana Silva

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