Câmara de Gaia melhora condições para acolher animais abandonados, num espaço com capacidade para 76 cães ou gatos
Já está em funcionamento o Centro de Reabilitação Animal que substitui o antigo Canil Municipal de Vila Nova de Gaia. Trata-se de um espaço com capacidade para 76 cães ou gatos e dispõe de condições mais dignas para acolher animais abandonados, num local amplo de 1000 m2 dividido em 38 celas. Dispõe, ainda, de uma clínica veterinária e de uma sala de cirurgias, que são geridas pelo Parque Biológico.
António Pérez, veterinário no Centro de Reabilitação Animal afirmou ser nos meses de Verão que mais abandonam os animais: “São nos meses de Junho, Julho e Agosto que chegam mais animais ao Centro. Mas muito poucos são entregues e depois devolvidos. Em média, em cada dez animais adoptados, três são devolvidos”.“Não concordo com a utilização ilegal dos animais. O centro não dispõe animais a quem não quiser tratar deles. Trabalhamos no sentido de sensibilizar as pessoas a tratar bem os seus animais e a não abandoná-los. Só os entregámos quando adoptados. Aqui serão sempre bem tratados”, referiu o veterinário quando questionado sobre a polémica que envolvia o Canil Municipal de Évora e as Universidades de Medicina Dentária, na utilização de animais como cobaias.
“Apesar da visão negativa que várias pessoas têm acerca de um canil, posso garantir que o nosso funciona muito bem. É a Câmara Municipal de Gaia que assegura os funcionários e não aceita ajudas de ninguém, nem mesmo voluntariado. A única coisa que necessitamos é que não abandonem os animais, porque não queremos este local lotado. Há sete funcionários a trabalhar aqui para garantir alimentos e cuidados essenciais a ter com os animais. As celas são limpas todos os dias, uma vez de manhã e outra à tarde. Aos domingos e feriados, os funcionários, de forma rotativa, deslocam-se até aqui durante seis horas do dia”, explicou o veterinário.
Para reforçar a ideia de que o Centro trabalha no sentido de sensibilizar as pessoas, António Pérez falou de uma campanha realizada todos os anos: “Realizamos, anualmente, uma campanha de “Sensibilização para Adopção de Animais”. Normalmente é feita no centro Comercial – Gaiashopping -, mas como este ano as condições são outras acredito que a próxima já se realizará aqui”.
“É essencial haver este tipo de equipamentos em todos os concelhos. Os animais, quando mal tratados, podem transmitir doenças e prejudicar a saúde pública”, referiu o veterinário mostrando a importância dos canis municipais.
António Peréz acrescentou, ainda, que qualquer animal que vaguei pelas ruas, sozinho, pode ser capturado: “Os animais que andam pelas ruas sem o dono estão sujeitos a serem capturados. Quando isso acontece, se o dono quiser reaver o seu animal, terá de pagar a captura, 50€, e a estadia do animal, 13€ por dia. É justo, um animal na rua, sozinho, pode até causar graves acidentes. Os donos têm que ser mais responsáveis”.
“Qualquer pessoa pode adoptar um animal do nosso Centro, seja cão ou gato. A única diferença é que, quando adoptado um cão pagasse a chipagem, obrigatória por lei. Se for gato, não há qualquer custo. Aqui o abate é evitado. Mas há canis que estão esgotadíssimos, por isso há regras que temos que seguir quando não há mas espaço. Um animal que entra num Canil Municipal, recolhido da rua, tem uma esperança de vida de oito dias. Findo este prazo o canil pode abatê-lo. Aqui a realidade é outra, porque temos boas condições. Só abatemos um animal nesse prazo quando se encontra muito doente. As campanhas de sensibilização servem mesmo para libertar espaços”, explicou o veterinário.Quando abandonados, os animais sofrem todo o género de maus tratos ficando igualmente sujeitos a contrair doenças. Para além do sofrimento infligido ao animal, o abandono é, portanto um risco para a saúde pública.
Joana Silva
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